Escola
Estar no segundo ano do Ensino Médio é algo curioso. Esse foi o ano em que algumas almas passaram a se interessar mais pelas aulas, o que me leva a dúvida do motivo. Seria por causa dos tão temidos vestibulares, que a partir do ano que vem passarão a ser levados em conta? Ou talvez houve algum tipo de iluminação por parte de meus colegas, que de súbito passaram a entender a importância do conhecimento? Me sinto inclinada a acreditar mais no primeiro motivo do que no segundo, embora eu aceite que sempre posso estar errada.
De qualquer modo, o clima nas aulas passou a mudar um pouco. Os professores estão tendo um pouco mais de trabalho conosco, os alunos, que agora fazem mais perguntas e procuram tirar mais dúvidas sobre os exercícios. Fico contente, pois o ambiente no ano passado era insuportável. Os momentos de silêncio eram raros, e parecia que a maioria dos professores não conseguia - ou não queria - dar aula direito. Eu até entendia, até certo ponto, os protestos velados dos meus colegas. De repente, a professora de literatura nos pedia para ler montes de livros de José de Alencar, contos de Machado de Assis e até mesmo Graciliano Ramos, logo nós, que estávamos acostumados à mordomia das aulas online - que, você deve me desculpar, mas é necessário de fato muita força de vontade para não se deixar seduzir pelas distrações que o ambiente familiar, unidos ao computador ou celular, proporcionam, nem deixar-se corromper pela facilidade em colar nas provas -, que praticamente pulamos dois anos de estudo! De repente, o professor de biologia nos pedia para realizar questões de vestibulares e trabalhos com formatação que nunca haviam nos pedido! Ora, a revolta é algo compreensível, afinal. Que poderíamos nós fazer diante disso tudo?
É claro que alguns de nós conseguiram voltar a demonstrar o mesmo desempenho que obtinham antes, e que outros passaram até a melhorar, mas, sejamos honestos, quais as chances? Mesmo que a pandemia não tivesse nos roubado preciosos anos, não creio que seria muito diferente. A verdade é que nem as escolas de classe média no Brasil parecem nos preparar direito para o que quer que seja. E não me entenda mal quando digo isso, sei que tenho o privilégio de estudar numa escola particular e não numa escola pública, onde é normal que professores de geografia deem aulas de história, tenho plena ciência disso. Minha critíca aqui é à triste realidade do nosso ensino. Se é a estrutura ou o modo como as coisas são feitas, admito não fazer a menor ideia. O que eu penso, apenas, é que há algo de errado. Deveriam ter nos preparado se quisessem que nós lessemos José de Alencar e entendessemos alguma coisa. O amor a leitura, e ao conhecimento, deveria ter sido cultivado em nós desde pequenos. Afinal, para que serve a escola, se ela não nos ensina nem o que se propõe a ensinar?
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